Capítulo primeiro

Prisões eram iguais em todos os lugares do mundo, ele suspeitava. Não que Nathaniel McFadden, terceiro filho de um conde e irmão do atual Conde de Cornwall, um dos nobres mais influentes e ricos da Grã-Bretanha, conhecesse muitas prisões – ele nunca fora preso antes. Durante sua vida em Londres, ele era um perfeito cavalheiro, um pouco boêmio, mas totalmente honesto e de moral elevada.

Nada daquilo permaneceu quando ele chegou em Nova Iorque. Depois de ter sido enviado para a cidade americana para intermediar investimentos da família com negociantes das ex-colônias, Nathaniel se envolveu em negócios um pouco menos idôneos do que era esperado.

— McFadden! — Um policial bateu na grade da cela, fazendo um estrondo agudo que feriu os ouvidos de Nathaniel. — Sua fiança foi paga.

Ele levou um minuto inteiro para se levantar. Não sabia se queria ser solto, se desejava que alguém se importasse com sua liberdade. Sabia que Leonard, o melhor amigo, estaria ali para o resgatar, mas não queria ser resgatado. Mesmo assim, arrastou sua carcaça para fora da cela e foi conduzido pelo policial até onde havia alguma luz.

— Você está horrível. — Leonard constatou.

Sim, ele estava. Aquela noite inteira fora horrível. Aonde estava com a cabeça quando decidiu permitir que Emile fosse àquele encontro? O irmão mais novo chegara aos Estados Unidos havia dois meses e, desde então, fizera de tudo para afastar Nathaniel dos seus negócios. O jovem não admitia que Nate tivesse se desviado tanto da virtude e tivesse se tornado um dos diretores do maior antro de jogatina da cidade – o clube Gênesis.

Naquela noite, Emile perseguiu o irmão ao saber que ele cobraria uma dívida. Cobrar dívidas tinha um significado específico para Nathaniel – ou o devedor pagava, da forma que pudesse, ou o devedor sofria. Quando ele era chamado para agir, esperava-se que ele fosse causar dor, muita dor. Era difícil entender como ele se tornou aquele homem frio e disposto a fazer coisas ruins por dinheiro, talvez nem ele mesmo pudesse compreender como chegou àquele ponto. Como poderia esperar que o irmão o entendesse?

E, quando tudo deu errado e a polícia chegou, tiros foram disparados e o episódio terminou com Emile McFadden atingido e dragado pelo oceano.

— Você não devia ter vindo.

— Ele mandou. Não é lucrativo ter um dos gerentes presos. Como está se sentindo?

Um assassino, como nunca se sentira antes.

— Acharam meu irmão?

— Não. Dificilmente ele será encontrado, Nate. A essas horas já deve ter virado comida de peixe.

Nathaniel fechou as mãos em punhos e deu dois passos firmes na direção de Leonard, que se afastou ao perceber o estado de espírito do amigo. Ele não o agrediria no meio do departamento de polícia. Não porque temia ser preso novamente, mas porque, se batesse em alguém naquele momento, mataria. Havia uma represa de sentimentos negativos e vingativos dentro de si, que aproveitaria qualquer oportunidade para romper e o transformar em um monstro.

— Vou para casa.

— Eu o acompanho. Não acho prudente que ande sozinho pela cidade.

— Não preciso de babá, Leo. Duvido que alguém vá cruzar meu caminho, hoje.

E, se cruzasse, ele certamente não reagiria bem. Emile vinha sendo um inconveniente, mas era seu irmão – e não havia nada que Nathaniel respeitasse além de sua família. Não mais. Ele desistiu do decoro, da decência, da honestidade e da virtude quando se associou a ele, o dono do cassino. Quase ninguém o conhecia, poucas pessoas viram seu rosto, e ainda assim era o homem mais temido de Nova Iorque. Tinha tanto poder quanto os governantes da cidade e não tinha nenhum remorso em arrancar a vida das pessoas com as próprias mãos.

Ainda assim, a morte de Emile estava na conta de Nathaniel. Ele nunca deveria ter permitido que o irmão ficasse em Nova Iorque. Deveria tê-lo enviado de volta em um navio quando pode.

— Nate. — Leonard colocou uma mão em seu ombro, sem temer uma explosão de ira. — Aceite minha companhia. Você é uma granada prestes a ser detonada e os efeitos colaterais serão muitos.  

— Que seja.

Sem vontade de continuar ali, naquele antro fétido cheio de criminosos comuns, os dois amigos saíram do departamento de polícia e pegaram um coche de aluguel até a Quinta Avenida. Era em uma das mais prestigiosas e avenidas de Nova Iorque que ficava a casa de Nathaniel, encrustada no meio de diversas construções ocupadas por famílias importantes. Apesar do luxo aparente, a casa era malcuidada e pouco frequentada, com a maior parte dos quartos cobertas por panos brancos, cortinas nunca lavadas e tapetes cobertos de pó.

Leonard serviu uísque para os dois, pois bebida nunca faltava no escritório, que era a única parte da casa que se apresentava como habitável. Nate costumava dormir pelo sofá próximo a lareira, já que tudo ali parecia suntuoso demais para ser ocupado.

— O que te levou a essa vida de confinamento e solidão, meu amigo? Tem vezes que juro não te conhecer mais.

— Prefiro que seja assim. — Ele bebeu o uísque em um gole. — Eu não gosto do que me tornei, gosto menos ainda de contaminar as pessoas com o que sou.

— Diz isso apenas pelo que aconteceu ao seu irmão?

Nate caminhou até o decantador e encheu novamente seu copo, enquanto fitava o amigo.

— Sabe que ele pode estar vivo, não sabe?

— Você estava lá, acha que alguém sobreviveria àquilo?

— Talvez não, mas também sei que, sem corpo, não há certeza.

— Nem provas.

— Posso tentar achá-lo, seguindo o oceano. O que não vou é desistir de Emile. Não tenho como encarar Edward depois disso.

Leonard deu uma risada debochada.

— Meu amigo, você não tinha como encarar Edward nem antes disso. O conde te renegaria como irmão se soubesse das coisas horríveis que tem feito. Vamos, desista dessa loucura e concentre-se no que importa – provar sua inocência.

— Eu não sou inocente, mas não matei Emile. Provarei isso encontrando meu irmão.

— O que pretende? — Leonard girou pelo largo espaço do escritório, parando de frente para uma grande janela envidraçada. — Peregrinar pela costa procurando por um defunto que possa ter saído andando do mar?

— Talvez.

— Você enlouqueceu. É investigado por homicídio, não pode sequer deixar a cidade. São condições de sua fiança.

Claro que havia condições, a maioria delas Nathaniel não estava disposto a cumprir. Não fazia sentido ser um criminoso – e empregado de um dos maiores chefes do crime de Nova Iorque – se ele seguisse as regras. Leonard sabia, mas o Eckley sempre foi mais comedido do que o McFadden. Enquanto Nate mergulhou de cabeça nos negócios do cassino, Leo fazia tudo com alguma cautela. Talvez por isso eles divergissem quase sempre, e divergiam naquele momento.

Não importava o que pensariam, ou se o perseguiriam. Ele investigaria e iria atrás do irmão. Nathaniel recusava-se a acreditar que seu Emile sucumbira àquele tiro. Havia a queda, também, mas Emile já sobrevivera a coisas piores. Ele era um jovem frágil e adoentado que fez de tudo para recuperar sua saúde até se tornar um homem forte e capaz de enfrentar animais selvagens com as próprias mãos. Não seria um maldito de péssima pontaria que colocaria fim à sua vida. Emile lutaria.

— Não há uma prova que eu tenha matado meu irmão – sequer há provas de que ele esteja morto. Enquanto a polícia faz o que sabe melhor, que é absolutamente nada, farei uma investigação paralela. Se souber qualquer coisa, irei imediatamente atrás da informação – e ninguém me impedirá.

Leonard fez um gesto com os braços, indicando que não seria ele que atrapalharia Nathaniel ou que se colocaria à frente de qualquer coisa que ele quisesse fazer. Quando Nate decidia por algo, era quase impossível demovê-lo.

A xícara de chá fez um ruído exagerado quando Lucille a depositou no pires. Mulheres educadas e finas como ela não espancavam a porcelana, mas seus dedos tremiam e não conseguiam segurar nem mesmo a colher para mexer o chá.

— Então você ouviu seu pai conversando com sua mãe sobre a ter prometido em casamento a um marquês com idade para ser seu avô.

Millicent Ryan disse, resumindo em uma frase o discurso de vinte minutos da amiga. As duas estavam sentadas na sala de estar de Milly, tomando o chá às cinco da tarde – uma tradição inglesa herdada de suas avós. Não havia mais ninguém na casa, então podiam conversar livremente sem que ninguém as estivesse escutando pelos cantos. Sempre havia os empregados, mas eles não faziam fofoca – e, quando faziam, tendiam sempre em favor das duas.

— Foi mais ou menos isso. Sei que ele é um marquês, que tem três filhos, que está viúvo há algum tempo e praticamente falido.

Lucille tentou beber mais um gole do chá de camomila que a amiga lhe preparara. O nervosismo a consumira desde que descobriu que o pai consumara a promessa de lhe arranjar um casamento qualquer. Aos vinte e sete anos e filha do homem mais rico de Nova Iorque, Lucy era uma vergonha para a família – não se casara, gostava de conversar com empregados e pessoas de status inferior ao dela, zombava na aristocracia britânica e tinha desejos de estudar.

Mas Walter Smith estava disposto a acabar com seus sonhos, pois concedera a sua mão a um inglês de sangue azul e não via a hora de enviá-la para Londres.

— Esse homem não me parece precisar de uma noiva.

— Não precisa, é meu dinheiro que ele quer. Meu dote, precisamente. O tal marquês está falido, Milly, e fará de tudo para salvar o patrimônio da família.

— Como sabe que ele é um velho?

— Fiz minha pesquisa, andei perguntando por aí.

Como “por aí”, Lucille queria dizer que pediu aos empregados para lhe contarem as histórias que ouviram. Por ser sempre muito educada e gentil com todos eles, e deixar gorjetas generosas, Lucille era querida por pessoas invisíveis para mulheres como ela. A garçonete, o copeiro, a camareira, o vendedor de frutas, o leiteiro, a professora da escola – todos gostavam dela e costumavam a ajudar a sair de situações difíceis.

Ela se metia em algumas confusões em suas tentativas de ganhar a liberdade quando mulheres não podiam ser livres. Gostava de fazer caridade, visitava orfanatos, usava sua mesada para comprar coisas para os pobres, andava sem acompanhantes e adorava passear pelas áreas menos favorecidas de Nova Iorque.

— Certo, e o que pretende fazer para se livrar dessa confusão? Porque, se te conheço, você tem um plano, Lucy.

— Tenho. Procurarei o Sr. McFadden, do clube Gênesis, e pedirei que ele me arruíne.

Daquela vez, o barulho de uma xícara caindo ao chão e se partindo em pedaços chamou a atenção da arrumadeira, que entrou no salão para ver o que estava havendo. Millicent encarou a amiga assustada, sem conseguir entender imediatamente o que ela queria dizer. Depois de dispensar a empregada dizendo que fora apenas um acidente, a conversa retomou.

— O que você quer dizer com isso?

— Não há muito o que explicar, há? Eu pedirei a ele que me deflore, e com isso, meu noivo irá me rejeitar. Homens não querem mulheres que já se deitaram com outros homens.

— Lucy! — Millicent aproximou-se, sentando-se ao lado da amiga e baixando o tom de voz. — Não é possível que você esteja considerando esse absurdo! Como, em primeiro lugar, você conhece o Sr. McFadden?

— Ele esteve em alguns jantares e ouvi mulheres falando sobre ele. Aparentemente, é o terceiro filho de um conde, mas vive como um dos diretores daquele antro de pecados chamado Gênesis. Que blasfêmia.

Lucille fez o sinal da cruz, indicando que abominava que um livro da Bíblia Sagrada desse nome ao clube mais devasso e indecente da cidade. Todos sabiam o que acontecia no Gênesis, mesmo que ninguém falasse em voz alta. Jogos ilegais e prostituição eram os pecados mais simples que se cometiam entre as paredes do clube, que ocupava meio quarteirão na Quinta Avenida.

— E por que o escolheu? Quero dizer, ele é um homem horrível!

— O que ele faz de horrível?

— Além de levar todas as mulheres que conhece para a cama? Eu ouvi dizer que ele e o amigo são assassinos! Ele matou o irmão, Lucy!! O próprio irmão!!

Sim, ela soube que ele estava preso, acusado de matar o irmão, mas também soube que seria solto em breve – pois homens como ele não passavam muito tempo na cadeia.

— Não sabemos se matou, ele não foi condenado ainda. E Milly, eu não quero me casar com ele, quero exatamente escapar de um casamento. O Sr. McFadden é o único canalha do qual ouvi falar que não se importaria com sua honra a ponto de concordar me deflorar e não se casar comigo, depois.

Lucille ainda tremia quando levou a xícara novamente à boca e bebeu outro gole de seu chá. Mesmo que tentasse demonstrar estar no controle de suas emoções, ela estava muito mais nervosa do que gostaria de estar. Tomara uma decisão absurda para tentar se livrar de um problema insuperável: um casamento indesejado com um homem horroroso.

Ela não contava aquilo para ninguém, as amigas não sabiam e Lucille fingia que vivia uma vida perfeita em uma família bem estruturada, mas o casamento de seus pais era horrível. Constance Smith era uma mulher muito jovem, que fora violentada por seu marido aos dezessete anos e obrigada a se casar com ele. Walter Smith era um homem ruim, que nunca demonstrou afeto algum pela esposa ou pelos filhos, tendo-os criados dentro de valores religiosos, da decência e da honestidade, mas sem um gesto amoroso sequer.

Durante a infância, viu o pai agredir a mãe com palavras duras, e também o viu esbofeteá-la algumas vezes. Constance nunca reclamava e usava o pó de arroz para esconder as marcas da violência que sofrera, porém ela era a filha mais velha – via tudo, acompanhava tudo, entendia tudo. Ela não queria um casamento como aquele, em que não houvesse respeito e amor que pudesse tornar a união do casal agradável. Jamais aceitaria para si o tormento vivido pela mãe, principalmente porque não pretendia ser cruel com seus filhos como Constance era com os dela.

— Sua ideia não tem cabimento. Você teria coragem de permitir que aquele homem… que ele a tocasse de forma íntima? Apenas para se livrar de um casamento possivelmente ruim?

— Casar-me com um marquês com o triplo da minha idade não é possivelmente ruim, é definitivamente péssimo. E, pelas fofocas que ouvi nos jantares, o Sr. McFadden é muito habilidoso com as mulheres. Duvido que ele será desagradável comigo.

Parecia razoável que Millicent não a entendesse, pois os pais da amiga tinham um casamento muito amoroso. Apenas quem cresceu em uma família de aparências, como ela, seria capaz de compreender o sentimento de repulsa que a impulsionava à ruína. Estava decidido – ela visitaria Nathaniel McFadden naquela noite, e que Deus a perdoasse por seus pecados.

A decisão de enfrentar o diabo era menos difícil do que parecia. Como as opções de Lucille não eram muito boas, fugir de casa à noite, sozinha e carregando uma bolsa de moedas, para bater à porta de um covil de demônios não era o pior que podia lhe acontecer. Ela olhou três vezes ao redor para garantir que não era observada, que ninguém a seguira, e certificou que o capuz fosse grande o suficiente para cobrir-lhe o rosto. Pretendia ser arruinada, mas não queria que isso acontecesse antes do planejado.

Bateu duas vezes com delicadeza. Suas mãos enluvadas estavam frias e ela suspeitava que fosse porque estava nervosa. Claro que estava – esperava que, quando a porta se abrisse, o próprio Eros se materializasse e a raptasse para uma orgia cheia de diabretes e criaturas do submundo. Ao menos era aquilo que sua ama dizia que os homens libertinos faziam, e ela acreditava na ama. Por que não acreditaria?

Talvez não devesse. Por acreditar demais, Lucille se sentia uma tola. Fora engada por todos em quem confiava, fora iludida e agora estava presa a um pacto não negociado por ela, mas cujo cumprimento selaria seu destino para sempre. O pai sempre sonhara em casar algum de seus filhos com a nobreza britânica e ela, a solteirona, fora escolhida para desposar um marquês que deveria ter setenta anos e uma verruga no nariz. Ou não, Lucille não o conhecia – e esse era apenas um dos motivos pelos quais não queria se casar com ele.

Passaram-se cinco minutos sem que ninguém a atendesse e ela estava ficando mais nervosa. Lucille bateu mais vezes, com mais força, quase esmurrando a porta de madeira. Fosse uma porta ruim, a madeira já teria ruído. Quando se preparava para mais uma sessão de soquinhos, a porta rangeu e se abriu, quase fazendo com que ela caísse para dentro da casa.

Para sua sorte – ou não – não havia deuses gregos nem pessoas usando máscaras e exibindo chifres. O homem que estava diante dela era jovem e aparentava ter acabado de acordar. Os cabelos estavam bagunçados e a barba por fazer dava a ele um aspecto grosseiro, mas ele era muito bonito. Céus, Lucille não deveria estar achando ninguém bonito, ela estava ali com um propósito e precisava ater-se ao plano.

— Eu encomendei uma garota e não estou sabendo?

O homem perguntou para si mesmo, olhando para a rua e procurando uma carruagem ou algum lugar de onde ela pudesse ter saído.

— Não fui encomendada. Preciso falar com o senhor, Sr. McFadden.

— A essa hora, vestindo capa? E tem certeza de que não é uma das garotas de Madame Beaufort?

— Garanto que não sou, mas preciso entrar. Estou arriscando ser reconhecida, poderíamos não falar aqui fora?

O corpo masculino afastou-se e deu espaço para que Lucille entrasse na residência. O baque da porta se fechando atrás dela fez com que seus nervos gritassem – ela estava trancada dentro do templo de Dionísio, ou Baco. Talvez ela tivesse gostado um pouco demais das aulas de mitologia grega, afinal.

— Senhora, poderia explicar-me o que está acontecendo?

Lucille baixou o capuz e fitou o homem sob a luz das lamparinas. O salão em que se encontrava não era muito iluminado, não o suficiente para a casa de um nobre, de um homem rico.

— Poderemos conversar, Sr. McFadden?

Ele riu, exibindo dentes brancos que reluziram. Os olhos azuis eram hipnotizantes e Lucille o achou belo demais, a ponto de não entender como não reparara realmente nele, antes.

— Faz muito tempo que ninguém me chama assim. Sou todo ouvidos.

Não pretendia parecer assustada, então tentou evitar que ele percebesse que estava tremendo desde o momento em que tomou aquela decisão. Por segundos, fitou aquele homem desgrenhado e malvestido e imaginou que ele não se parecia com nenhum nobre que ela já conhecera. Definitivamente, estava fazendo papel de tola – e a ama estava muito equivocada. Não tinha nenhuma criatura de chifres e aparência caprina à sua frente. Se bem que ele podia, sim, ser uma personificação de Eros, ou de Davi, ou outra bela figura da arte renascentista que estivera estudando.

— Peço que me perdoe. Eu esperava… quero dizer, esperava…

— Se esperava o terceiro filho de um conde, veio ao lugar errado. — Ele a interrompeu. — Sou o gerente de uma casa privativa de jogos e esse é o meu melhor. Diga, seu marido perdeu dinheiro e a senhora veio negociar no lugar dele porque pensa que serei piedoso com mulheres? Trouxe alguma criança para me comover, ou está grávida e escondendo uma barriga redonda com essa capa?

Os olhos dela se arregalaram ainda mais ante aos disparates que aquele homem falava. Ele podia não ter a aparência de um demônio, mas certamente estava longe de ser um cavalheiro. Lucille sentiu a boca seca, mas não iria fraquejar. Qualquer coisa parecia melhor que o destino que lhe fora traçado.

— Não tenho marido, nunca fui casada. Estou aqui em nome próprio para lhe fazer um pedido. Preciso que o senhor me arruíne.

Dizendo aquilo, Lucille abriu a capa e deixou-a cair ao chão, exibindo seus trajes. Foi a vez do Sr. McFadden arregalar os olhos e abrir a boca em descrédito. Por baixo da capa havia apenas uma combinação de camisola, espartilho e calçolas, além de belas e novas meias pretas de seda, que ela fizera questão de usar para a ocasião. Seu corpo todo tremia de medo, mas ela não voltaria atrás.

Está aí o capítulo primeiro, mulherada. Espero que vocês estejam tão ansiosas por essa história quanto eu estou para contá-la a vocês!

O Nate vocês já conhecem, então, me digam o que acharam de Lucille e da atitude dela nesse início. Justificada? Ficou maluca? Como acham que Nate reagirá diante dessa oferta, hem?

Acho que teremos fogo no parquinho logo no segundo capítulo, será?

Amanhã tem mais! Vamos de capítulos diários enquanto eu aguentar a pressão!

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AnnHSmith

AAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!
Eu amei esse início! Mal posso esperar por mais!

Adriana Dutra

nossaaaaaaa,,, mais ja capitulos diarios,,,,

Jayne Leite

Meuuu que capítulo foi esse, que mocinha mais doida kkkjjkk super amei…
Já quero a pegação, mas acho que ele vai pensar q é pegadinha kkkk
#ChocadaEstou🤣🤭

Gabriella Zane

Que primeiro capítulo intenso!! Já amei a lucille!!
Com certeza aprovamos um fogo no parquinho no segundo capítulo hahah
E apoiamos capítulos diários, para nossa própria sanidade! hahah

Last edited 21 dias atrás by Gabriella Zane
Cássia R. Batista

Que começo mais interessante foi esse??? O Nate super “mal”, outro Eckley (não me lembrava que tinham mandado os dois)… Achei a atitude da Lucy super corajosa e decidida 🔝

Mary Santos

Nossa primeiro capítulo já pegou fogo quando sai o segundo 😍

fabia

Já adorei a mocinha…..
E quem não gosta de um homem mau…. Kkkkk
Isso tudo promete.

Juliana Mendes

Ahhh que delícia!!! Já começou pagando fogooo

Sara Vasconcelos

MISERICORDIA.QUE PRIMEIRO CAPITULO. Adorei a Lucille, Leonardo kk, esses Eckley sao delicados como um elefante. Ansiosa pelo proximo.

Simone Chelio

Senhor!!!! Que começo perfeito!!! Adorei a Lucille! Mulher decidida! Louca mas decidida!! A sorte dela é que, mesmo sem saber, escolheu o homem certo para sua loucura! Delícia de homem!!! Parece que ela vai ser um bom páreo para ele! Se te conheço acho que não vai rolar parquinho no próximo capítulo… mas um foguinho até pode ser!!

Tania Mareto

Concordo, Simone. Não vai ter fogo no parquinho, AINDA! E eu só lembro de Nate do Boletos!Hahahahahahahaha! Quero ser cobrada!

Patricia Souza

Quero maaaaaaaais 😍😍😍😍
Começo maravilhoso!

Ivone Zeigler

Adorei o capítulo! Algo me diz que iremos ter muitas reviravoltas… Adorei a Lucile… meias pretas… Mas como nada é fácil… acho que a luta pra ser arruinada só está começando… kkk Parabéns Tatiana ! Excelente início!

Victória Terasawa

MEU SENHOR AMADO! A Lucy não tem nada de mocinha, já chegou chegando. ADOREI!
Nossa, em comparação com a aparição do Nate nos outros livros ele tá muito mudado. O que aconteceu pra deixá-lo assim?

Amanda Regina

MDS que capítulo é esse? Gente confesso que estou surpresa com as atitudes do Nate, não esperava essa virada na vida dele, e quando a Lucille eu acho que entendo o problema dela não querer casar com o marquês, justificada.

rosa maria sgrignoli

Gostei da atitude da Lucille que quer se livrar do marquês caquético. Estou surpresa com o perfil do Nate, ele vem de uma família amorosa e os irmãos são super honrados e honestos…vamos seguir em frente então pra ver o porque desse descaminho dele… ansiosa!

Ines Freitas

aiiiii quero maisssssssss 🙂 primeira vez que leio assim, em doses homeopaticas ahhahahah será que sobrevivo??????? eu costumo devorar seus livros em 2 dias no maximo ahhahahahha vc é a grande causadora das minhas noites mal dormidas ahhahaahha das minhas olheiras matinais kkkkkk pq pego o livro pra ler e nao consigo pararrrrrrrr e agora ler de capitulo em capitulo…. ai senhorrrrrr que horas vai postar o 2???? meia noite??????? hahahahhaha sinto que o nat vai nos surpreender muito…. que vamos ter aquela relaçao amor X odio constante kkkkkk e confesso que nem lembrava que tinha mais um irmão alem… Read more »

Adriana Dutra

amei,,,, começamos bem,,,, faria o mesmo que a Lucille, ,, se tivesse um pai como ela, gostaria de ter a minha própria vontade reconhecida,,,, partiria pra cima, do primeiro que aparecesse,, e me fosse atrativo,,,,

Jennifer Rossatto

Amei esse iniciooo!!!

Mas desconfiando de dona Tatiana, vou me preparar para alguma pegadinha no próximo capitulou ou não, nem sie o que pensar….
AAAAAAAAHHH

Tania Mareto

Aposto que ele não vai aceitar! Ele não vai arruinar a moça logo assim de cara. Mas que vai rolar muita química entre os dois, isso vai.

Jacqueline Martins

Mulheeeer com assim ??? Amei lucille que mulher maluca ! Kkk
Já queremos sim fogo no parquinho logo no segundo capítulo kkkk

Ameeeii esse primeiro capítulo ♥️

Helena Paglione

Eita que chegou chegando!
Nate esta fora do contexto! gente nao era assim na Inglaterra
Chegou nos EUA e pirou? Tem gato no balaio….
Lucy entao …… deve ser o ar de NY hahahahahahahahahahaha
Fogo no parquinho logo logo
A Dama de Vermelho fez historia e foi ultrapassada
uuummmmm acho que estou doida tb
ADOREIIIII

Michelle Gil

Meu Deus levei um tempão pra conseguir reaver minha senha, entrar aqui, eu achava que o irmão dele era mal kkkk tipo de verdade, mas me enganei ainda bem, ele é tipo o principezinho gente awwwnt tomara que não esteja morto 😂😂😂, e como assim Nate ta malvadão??? Ui adoro, e Lucille cara, desesperada, acho que ele vai ficar tentado mas sei lá. Será que vai rolar? Hummm 😏😏😏😏

Maria Eunice Castilho

Simplesmente adoreiiii! Mas é claro que o canalha vai aceitar a oferta!

Carla Cerveira

Uhuuuuul!!!!
Que entrada triunfal! Lucille já chegou chegando, to amando já esse casal ❤️❤️

Paulina Pereira

AAAAAAAAAAAHHHHHHHH
Mds
AMEI!!!
Ansiosa demais!!!!!!!

Nadege Cavalcante

Como sempre maravilhoso! Apaixonante! Sem palavras. Amei o primeiro capítulo e o encontro inusitado de nossa mocinha e do nosso gato lindo Nate. Bem já sei que tenho que ter muita pipoca pois vem muitas emoções nos próximos capítulos. E a respeito da atitude da Lucíli acho que posso dizer desesperadora. Bem vamos nos preparar por o que vem por aí.

Layza Silva

E precisa de justificativa pra querer dar uns pega no Nate? Qualquer coisa é válida sksksksksk

Lourdes Gomes

Senhooooooooor, é pedir muito um Mcfadden só pra mim????