Há algo mágico em um romance. Talvez não seja só a história de amor, mas tudo o que ela nos permite: sonhar, sentir, refletir, ter esperanças.

Mas sempre tem um espírito ruim que surge de tempos em tempos para questionar a “validade” dos romances como literatura…

Quem escreve e lê romances sabe que eles são (injustamente e inadmissivelmente) vistos como “literatura menor”. Nenhuma surpresa. Romances colocam no foco desejos, agendas e conexões emocionais, especialmente de mulheres, pessoas queer, trans, negras e marginalizadas.
Enquanto vários gêneros, principalmente os dominados por autores homens, muitas vezes apagam mulheres ou as tratam como acessórios, o romance coloca essas mulheres e seus desejos e prazeres como ponto central.
Além de tratar questões humanas com respeito e profundidade, romances frequentemente exploram os papéis de gênero e tratam do empoderamento feminino.
Se nada disso explicar o motivo pelo qual 1) romances precisam ser lidos e 2) romances são odiados, neste post quero explorar por que histórias de amor ocupam um espaço tão especial no coração de tanta gente — inclusive o meu — e como certos livros deixaram marcas que guardo com carinho.
Sempre precisamos de mais motivos para dizer por que amamos romances!
A leveza que conforta
Romances têm o poder de nos oferecer um refúgio. Esse é talvez um dos aspectos mais valorizados dos romances: eles foram escritos para serem saboreados, para dar prazer. Em dias em que o mundo parece pesado demais, abrir um livro de romance nos permite relaxar, mergulhar em desejos, conflitos emocionais, reconciliações, gestos de carinho, sem a pressão de resolver o mundo inteiro.
Ler para mim sempre foi muito mais do que conhecimento. Ainda uso a literatura como um escapismo da vida real e nós sabemos que muita gente faz isso.
Emoções que nos transformam
Romances nos exigem sentir. Não é só sobre o casal ficar junto no fim — é sobre o percurso até lá: a tensão, o conflito, a dúvida, a descoberta. A literatura romântica permite que personagens vulneráveis, marginais ou diferentes (seja por identidade, experiências) tenham voz, tenham desejo e amor.
Isso nos oferece espaços de identificação — ou, pelo menos, a oportunidade de testemunhar outras vidas, outras escolhas, dores e alegrias.
Esses personagens que amam, caem, se machucam, se levantam, nos mostram que errar, duvidar, mudar. Tudo faz parte do amor. E isso nos ajuda a crescer também, a encarar com mais empatia nossas próprias falhas ou estranhezas.
tem a ver com representar e pertencer
Outro motivo poderoso de amarmos romances: eles expandem quem pode amar, como se ama, sob quais circunstâncias. Em muitos romances contemporâneos, há diversidade de identidades, orientações, backgrounds sociais, culturais. E isso importa muito — porque ver sua vida refletida na ficção provoca uma sensação de validação e pertencimento.
A jornada importa
Você conhece aquela sensação de esperar ansiosamente um reencontro, uma declaração, um momento especial? O romance muitas vezes é a promessa de uma jornada: obstáculos, transformações, grandes gestos, mas com a segurança de um final satisfatório.
A estrutura de romance oferece uma segurança: sabemos que, no fim, há a possibilidade do feliz para sempre — ou pelo menos de uma paz para o casal.
Essa previsibilidade (sim, pode soar estranho elogiar previsibilidade) é reconfortante. Porque não vivemos num mundo de finais garantidos; mas nas páginas de um romance, nos permitimos imaginar que, com coragem, com vulnerabilidade, com amor, finais bons são possíveis.
Reflexão: por que isso é relevante em pleno 2025
Talvez algumas pessoas vejam romance como “frescura”, algo “leve demais”, ou menos sério que outros gêneros. Mas a capacidade de emocionar, de inspirar cuidado, de fomentar empatia, de nos dar esperança — tudo isso tem valor enorme.
amar é um ato de resistência.
Em tempos incertos, líquidos e egolátricos, o amor é também resistência. Amar bem, amar com cuidado, amar personagens diferentes de nós, amar apesar do medo — essas são pequenas revoluções.
Romances nos lembram de que o mundo também pode ser gentil. Que existem finais bons — ou pelo menos, finais que honram a jornada. E que amar, de múltiplas formas, vale a pena.
Foto de Becca Tapert na Unsplash
