Você já começou a ler um livro onde tudo parecia perfeito demais e, de repente sentiu sono? Ou ficou pensando se continuar a leitura valia a pena – afinal, tempo é dinheiro?
Pois é.
Um livro de romance não se faz apenas de um encontro bombástico e uma declaração de amor imbatível. Entre esses dois eventos tem que acontecer um monte de coisas para dar substância, liga à história, ou não teremos livro!
Quem está assistindo a quarta temporada de Bridgerton na Netflix também deve ter visto a chuva de reclamações sobre a “proposta indecente” de Benedict para Sophie. Muitos se perguntam: por que ele fez isso? Era só ele…


Não necessariamente. Romances são centrados em pessoas e pessoas não são linhas retas em preto e branco fáceis de compreender e decifrar. Pessoas possuem suas batalhas internas e seu tropeços que moldam quem elas foram, são e serão e que definem decisões.
Benedict e Sophie são um típico caso de “amor impossível” daquela época, então existem tanto barreiras internas quanto externas para que eles fiquem juntos.
Os conflitos internos deles são muitos:
- Benedict se apaixona à primeira vista pela mulher de prateado, mas depois se apaixona por Sophie.
- Sophie é uma criada, então casar-se com ela o rebaixaria socialmente.
- Ele é um bom homem, mas vive o dilema moral de amar uma mulher “inadequada”.
- Sophie sabe que é ilegítima, mas foi criada acreditando no amor do pai e que poderia ter um lugar na sociedade.
- Ela se apaixona por Benedict e entende que ele pode ajudá-la a melhorar de posição (ser amante de um nobre era muito mais qualidade de vida do que uma criada), mas entende que isso é indigno.
O mesmo acontece em Um Duque para Chamar de Meu (Aiden é um duque, Elizabeth uma criada, mãe viúva de duas crianças) e em Uma Princesa para Desafiar o meu Destino (Hurit é uma princesa nativa e Emile é o filho doente hahaha). Mesmo que aparentemente basta que eles desafiem o mundo e se declarem para viver um grande amor, muitas variáveis devem ser levadas em conta.
Se você quer escrever um romance com bastante recheio para não provocar sono nas leitoras, você precisa dominar as duas engrenagens que movem qualquer história: o Conflito Externo e o Conflito Interno.
Vamos entender como equilibrar essa balança?
1. Conflitos externos: tinha uma casca de banana no caminho
O conflito externo é o que acontece fora do personagem. É o que dá estrutura à trama e cria os famosos obstáculos de roteiro. Temos de exemplo:
- Os vilões ou antagonistas: Rivais amorosos, uma sogra difícil ou um chefe tirano.
- As regras: Sociedades conservadoras, leis ou distâncias geográficas.
- O caos: Uma tempestade que obriga o casal a dividir a mesma cabana (clássico!).
A função dele: atrapalhar o resultado final (no caso, o felizes para sempre). Sem obstáculos externos que atrapalhem seus personagens, seu livro não terá muita ação nem motivos para eles ficarem juntos depois de se apaixonarem.
2. Conflitos internos: a batalha silenciosa
Aqui é onde o leitor se conecta. O conflito interno é a luta entre o que o personagem quer e a mentira em que ele acredita. Alguns exemplos:
- A ferida: protagonistas com conflitos internos podem carregar traumas do passado que moldem a sua percepção do mundo e das pessoas.
- Auto-sabotagem: geralmente é o medo de ser abandonado que faz a personagem afastar o par perfeito assim que as coisas ficam sérias.
A função dele: atrapalhar o resultado final. A diferença básica entre o conflito interno e o externo é que o primeiro provavelmente que fará a leitora se identificar imediatamente com o personagem e entender a sua dor e sua hesitação em seguir adiante ou chegar a um ponto de virada.
Como a mágica acontece
As melhores histórias acontecem quando o problema de fora obriga o personagem a resolver a bagunça de dentro.
Exemplo Prático: Se o seu herói tem pavor de confiar nas pessoas (interno), coloque-o em uma situação onde a única forma de salvar sua carreira seja aceitar a ajuda da pessoa que ele ama (externo).
Para não deixar o ritmo cair, use amplificadores: prazos apertados, uma pitada de ciúmes ou uma pitada de cansaço extremo. Isso empurra o personagem para o “ponto de ruptura”, onde ele finalmente desiste de suas crenças limitantes em nome do amor.
No fim, os conflitos fazem com quem percebamos que romances são mais do que histórias sobre casais: são jornadas de cura.
Um bom romance não é apenas sobre duas pessoas se encontrando, se apaixonando e fazendo sexo, é sobre duas pessoas se transformando para que o final feliz seja possível.
Dicas de leituras rápidas:
E você, colega escritora? Qual é a maior barreira que impede seu casal de ficar junto hoje? O mundo ou eles mesmos? Comenta aqui embaixo!
Foto de Sixteen Miles Out na Unsplash
