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Hoje, vamos bater um papo sério (mas nem tanto) sobre um bicho-papão que assombra a vida de quem vive de inventar histórias: o tal do “bloqueio de escritora”. Aquele vilão invisível que nos faz encarar a tela em branco por horas a fio, enquanto a criatividade decide ir tirar umas férias no Caribe sem avisar.
Mas quer saber a verdade? Na minha humilde e irreverente opinião, o bloqueio de escritora não existe de verdade. E se ele existe, é porque a gente, sem querer, dá um empurrãozinho para ele aparecer.
Agora é aquele momento em que vocês querem jogar uma capa de livro na minha cabeça, mas vou explicar: não é que não consigamos escrever em determinados momentos. Isso acontece e acontece muito. É que não é bem um evento físico irresistível do qual não conseguimos nos livrar.
Na maioria das vezes, o bloqueio são só as vozes da nossa cabeça gritando e fazendo bagunça.
1. A procrastinação criativa disfarçada de preguiça
Sim, eu disse! Às vezes, a gente só está com preguiça. Preguiça de sentar. Preguiça de começar. Preguiça de enfrentar aquele capítulo que não está saindo do jeito que a gente quer. E aí, a mente, que é super esperta para se autossabotar, cria um rótulo pomposo: “Estou bloqueada”.
Na verdade, você só quer ver mais um episódio daquela série viciante ou rolar infinitamente o feed do Instagram.
Minha dica para isso? Use algum método que permita escrever continuamente todo dia. Pode ser o pomodoro, pode ser o estabelecimento de meta, pode ser um sprint de escrita – mas escreva todo dia. Quando você se der conta, o bloqueio misteriosamente evaporou. Ou talvez a história te sequestrou, o que é bem mais provável no meu caso.
2. O perfeccionismo que atrapalha mais que ajuda
Esse é um clássico e acontece comigo sempre. A gente quer que a primeira frase seja genial, que o diálogo seja brilhante e que a cena de beijo (ou de guerra, dependendo do humor dos meus personagens) seja a mais épica de todos os tempos. E aí, quando não sai na primeira tentativa, a gente trava. O bloqueio aparece como uma desculpa elegante para não entregar algo que não seja “perfeito”.
Spoiler: nunca será perfeito, nem depois de mil edições.
A perfeição é inimiga da conclusão. Escreva mal, escreva feio, escreva o que vier à cabeça, mas escreva. O processo de lapidação vem depois. O rascunho existe para ser imperfeito e até mesmo ruim. Publicar um livro é editá-lo até a exaustão, então não caia na armadilha da perfeição à primeira vista porque ela não existe.
3. A vida real acontecendo (sim, ela ousa!)
Ah, essa é a mais cruel de todas.
A vida de autora, por mais glamour que pareça nas fotos com capas de livro, é também a vida de uma pessoa que paga boletos, faz supermercado, lida com a família, tem trabalho, tem mestrado, tem doutorado… (cof, cof, minha história cof, cof). Às vezes, o que chamamos de bloqueio é apenas o nosso cérebro exausto, sobrecarregado pelas mil e uma funções que exercemos fora do nosso universo literário.
Quando a vida real bate à porta com um boleto na mão e um filho perguntando “o que tem para comer?”, a inspiração pode se esconder debaixo da cama. Nesses momentos, não é bloqueio, é esgotamento.
Permita-se descansar, viver um pouco, recarregar as energias. Encare a criatividade como um músculo: precisa de treino, mas também de repouso.
4. Seus personagens estão fazendo birra (é raro, mas acontece com frequência)
Às vezes, o problema não é você, são os seus personagens que, eventualmente, decidem assumir vida própria e não aceitar a história que planejamos.
Eles querem outro par romântico, outra reviravolta, ou simplesmente não gostam do caminho que você os está levando. É uma birra literária em tempo integral. Quando isso acontece, eu paro, respiro fundo, e tento ouvir o que eles estão me dizendo.
Mas como assim, se você planejou, o personagem atende ao planejamento!
É, mas eu sou uma pantser. Significa que não sou a maior planejadora e roteirizadora de histórias que existe. Estudo muito, leio muito, dedico muitas horas à construção dos meus livros, mas muita coisa flui enquanto executo (aka escrevo). E é na execução que os personagens decidem brigar comigo.
Às vezes, uma caminhada, um banho, ou uma boa xícara de café enquanto “converso” com eles na minha cabeça resolve o problema. Eles só querem ser ouvidos, esses carentes. A história do Lorde das Sombras não saiu antes de muita conversa com Robert Eckley, porque ele viria de um jeito bem diferente do que veio.
Tem outra coisa que me ajuda muito com a birra dos personagens: brainstorming com as amigas. Chamo no “0800 socorro preciso de ajuda” e, depois de vários áudios de 3 minutos cada, uma boa conversa com troca de ideias costuma “desbloquear” tudo.
Então, da próxima vez que você sentir aquela paralisia na frente do teclado, não chame de “bloqueio” porque isso pode te atrapalhar – afinal, é uma desculpa que nos permite “fazer outra coisa” porque estamos bloqueadas. Melhor chamar de “preciso de cinco minutos de coragem”, “estou esperando a perfeição ir embora”, “minha vida real está me chamando” ou “meu personagem está de greve”.
E aí, qual desses “falsos bloqueios” mais te persegue? Me contem nos comentários!
Foto de Morgane Perraud na Unsplash
