Cada semana um crush, e o marido que lute.
Não tem nada mais real na vida de uma leitora do que o crush literário. Se você é escritora, passa pelo problema duas vezes: além de crushear os mocinhos das outras, ainda crusheia as próprias criações.
Deve ser porque ontem eu estava me recordando de um vilão da Elizabeth Hoyt que é o mocinho do livro Duke of Sin, da série Maiden Lane, e que é um dos meus favoritos da vida. Ele é terrível, implacável, sanguinário – e sou apaixonada por ele.
Doida? Com certeza, sim.
Mas toda apaixonada por romances vive (ou viverá um dia) aquela paixão avassaladora por um personagem que existe apenas nas páginas de um livro, mas que ocupa um espaço considerável na sua mente (e, sejamos honestos, no seu coração). E hoje, vamos falar sobre esse fenômeno.
Como nascem os deuses (ou demônios) da ficção
A gente passa horas criando esses homens impossivelmente irreais. Damos a eles as melhores falas, os dilemas mais complexos, os corpos mais esculturais e é inevitável que acabemos nos apaixonando um pouquinho.
Meu novo mocinho imperfeito (ou não) literário é atormentado, cheio de mistérios e incrivelmente sedutor. Do tipo que um olhar molha a calcinha e um sorriso faz a gente tropeçar. Toda vez que escrevo qualquer coisa sobre ele, faço isso com um sorriso no rosto. Ele existe só na minha cabeça, mas representa um monte de desejos reunidos que não são apenas meus, mas também nossos, o que nos faz perguntar por que diabos eles não são reais.
Esses deuses (ou diabos, se você curte um dark) não são pura fantasia de uma mente brilhante. Mocinhos literários são criados meticulosamente para serem perfeitos para você e satisfazerem todos os seus desejos mais secretos (ou nem tanto). Eles não surgem do nada, mas de uma intensa pesquisa sobre
O QUE FAZ ESSE HOMEM IRRESISTÍVEL?

Geralmente eles são assim porque se diferenciam muito do que experimentamos no dia a dia. Livros de romances foram feitos para nos deixar sonhar, escapar da realidade, por isso precisamos de personagens transcendentais que sustentem esse rojão.
A irresistibilidade em palavras
Muita gente (cof cof eu cof cof) estuda sobre as características que tornam um mocinho de romance o maior crush das nossas vidas a ponto de nos fazer apaixonar por eles mesmo sabendo que eles não existem.
O mocinho perfeito é sempre devotado à mocinha (aka você no mundo dos sonhos). Mesmo sendo desejado, poderoso ou temido, ele só tem olhos para ela. Deixa claro que ela é única e insubstituível, nos permitindo experimentar como é a sensação de ser “a escolhida”.
Ele também é protetor, mas nunca controlador. Está disposto a colocar o corpo e até a reputação em risco, se necessário, mas sua proteção não nasce da posse (cof cof às vezes cof cof), e sim do amor e da prioridade que dá à mulher que ama. É isso que cria a sensação de segurança emocional e física que precisamos.
Não precisamos, não, Tatiana, porque ninguém precisa de homem e…
Sim, eu sei. Precisamos de segurança, não importa muito de onde ela venha. Mas estamos falando de romances, então, claro que vou me ater ao mito do amor romântico. Queremos um parceiro que cuide de nós como cuidamos de tudo ao redor e que nos permita sermos livres como merecemos.
Que atire a primeira pedra quem nunca gritou diante de um “VOCÊ É MINHA” nos livros que leu.
O crush literário ideal é confiante, mas vulnerável com ela. Forte, capaz, dono de status ou habilidade, ele mostra para o mundo sua força, mas apenas com a mocinha revela fragilidade, dor ou segredos. Esse contraste torna a relação entre eles única e especial.
Ao mesmo tempo, é respeitoso e apaixonado. Nunca força nada: ele deseja intensamente, mas respeita limites, colocando sempre o prazer e a felicidade dela acima da própria. Curiosamente, é aqui que os romances mais sofrem críticas, já notaram?
Ain, vocês criam homens irreais que nunca farão isso!
Bem, se o cara se contenta em ser ruim de cama, a culpa não é minha de querer coisa melhor.
Ele também é determinado e persistente. Não desiste do amor, mesmo quando enfrenta vilões, convenções sociais, distância ou até a família. Sua persistência mostra que o amor é sua prioridade máxima, que ela é prioridade. E, depois que colocamos tudo na nossa frente, é muito bom ser prioridade de alguém.
O mocinho perfeito é ainda carismático. Esse carisma pode se manifestar em um humor sarcástico, em um charme elegante ou até em uma intensidade silenciosa. Independentemente da forma, ele magnetiza todos à sua volta, mas escolhe a mocinha — e só ela.
Outro aspecto essencial é que ele seja um sedutor nato. Sabe como criar tensão com olhares demorados, toques sutis e frases carregadas de duplo sentido. E não se limita ao físico: ele mexe com a mente e o coração da mocinha — e o nosso também.
Além disso, o herói precisa ser complexo, nunca perfeito demais. Afinal, ele não existe mas tem que parecer real. Tem traumas, defeitos ou falhas que o tornam humano e luta contra seus próprios demônios. Claro que, nesse trajeto, a mocinha nunca será a sua tábua de salvação, mas a pessoa que caminhará com ele durante a jornada de transformação.
Por fim, no momento decisivo, ele demonstra sua entrega total no clímax. Quando se rende ao amor, é sem medidas: oferece devoção, paixão, lealdade e intensidade absolutas. Essa entrega completa é, para muitas de nós, a fantasia máxima em um romance.
E vocês, o que faz um mocinho se tornar seu crush perfeito insuperável? Me conta nos comentários! Qual personagem te rouba o fôlego e por quê?
Minhas referências:
- The romantic hero revisited: essential hero qualities
- 10 characteristics of a great romantic hero
- What are the traits a romance hero has to have?
- Writing romantic heroes
- 5 traits of an ideal romance hero
- The ideal romantic hero
Foto de Elaine Howlin na Unsplash
